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POR DO SOL ao TLM

Bárbara...Bárbara...Bárbara.... Pronuncio o teu nome baixinho, num sussurro para o interior de mim, enternecido pelo teu olhar doce que me fita de lá de onde me vês ou sentes ou sabes, de mim.

O teu rosto belo onde tudo é perfeito, o nariz, as orelhas, o traço dos lábios fechados que deixam entrever um leve sorriso enigmático, nem triste, nem alegre, de mistério, o rosto oval, os olhos grandes, brilhantes, castanhos como eu sinto os teus olhos belos, escondendo segredos e paixões.

Bárbara, o teu cabelo que desce em cascata, lisos, louros escuros quase castanhos, mas louros, sobre os teus ombros, o pescoço, o queixo, os cabelos de novo e o sorriso dos olhos que se propaga aos lábios, como se fizessem parte de uma mesma articulação.

Porquê Bárbara?

E disseste-me, a tua voz doce e quente, pausada, que o teu pai tinha uma admiração pelos povos Bárbaros que assolaram a história da humanidade. Todos os que não estavam com ele, eram Bárbaros. E quando nasceste, porque talvez quisesse antes um filho varão, mandou que te chamasses Bárbara.

Conheci-te no metro da cidade. Lembro-me que corrias, os cabelos louros cobriam-te o rosto pela deslocação. E quando chegaste à porta, a carruagem estava cheia, nem mais um corpo. Olhei-te numa fracção de segundo e vi o teu ar desesperado, o gesto de desalento, o apito do fecho de portas,coloquei-me entre elas e disse-te, _Sobe.! Cedi-te o meu lugar e fiquei a ver-te partir, os olhos brilhantes que me agradeciam e me inquiriam , _Porquê?

num mundo cheio de pressa.

Eu ia apenas a uma consulta. Tinha tempo. Pensei. De repente lembro-me que não, que era imprescindível que estivesse na hora certa.

Bárbara, é ainda o teu rosto que me surge em todo o seu esplendor. E não é fácil apaixonar-me por alguém...

Estou no local que combinámos que eu estaria. Subi a serra de igual modo como o fazia nos tempos de juventude e apanhávamos amoras silvestres pelas veredas do caminho sinuoso entre árvores de cheiros agradáveis Pinheiros, Eucaliptos e urzes rasteiras que nos picavam as pernas descobertas pelos calções.

Agora já quase não há árvores, plantas rasteiras indiferenciadas ladeiam o carreiro ainda visível, ardeu tudo e das silvas, nem rasto, apenas a memória. E as palavras que trocávamos nas juvenis brincadeiras, os namoricos, os olhos chamejantes do ciúme.

Estou no cimo do miradouro e olho o mar ao longe ,como fundo de toda a paisagem onde o Sol se deixa encaminhar pelo movimento do Planeta, rumo ao ocaso.

Quando cheguei ao hospital, ao local exacto da consulta, faltavam dois minutos para ser eu e suspirei de alivio. Tinha percorrido a ladeira a passo corrido e o suor escorria-me pelo rosto moreno. Ouvi o meu nome ecoando pela sala de espera e estremeci, como sempre acontece quando me evidenciam em público, me fixam algo de mim. Os olhos dos outros no meu corpo, nos meus olhos, a indagarem doenças, suporem dores ,..

Abri a porta e vi-te, os olhos sobre o papel onde anotavas sobre o doente anterior, mas eras tu, o teu cabelo de oiro, as tuas mãos de porcelana. Fizeste um ah! de espanto, de incredulidade e ergueste-te da cadeira que tombou com um estrondo metálico.

_Você?!...disseste, sorrindo e deste uma gargalhada sedutora. Tudo em ti é sedução que me confronta a alma.

Tinhas uma urgência, uma intervenção cirúrgica que não podias faltar, daí a pressa de à pouco sobre a manhã. Enalteceste o meu gesto. E eu que nada, tinha visto a preocupação nos teus olhos, foi um impulso irreprimível.

Encontrá-mo-nos algumas vezes em cafés próximos da nossa passagem, ou que eu fingia ser de minha passagem. E falámos de nós, da vida de fora de nós, de onde nos movíamos e sentíamos. Falámos dos teus desaires amorosos e da tua descrença no amor entre duas pessoas para um projecto conjunto. A paixão de amar. Amavas as pessoas, os teus doentes, a tua profissão. Mas duvidavas em absoluto do amor.

_Como definiríamos o amor, aquele que junta duas pessoas para sexo e vida em comum?

E eu disse-te que o amor, como eu o sentia, era como uma couraça em volta dos seres que se amam. Indestrutível até na morte. É um amar de tudo no outro, de dentro e de fora, por cima de onde emanam fluídos cósmicos que nos radicalizam a emoção de nós. Não é um capricho do momento, um devaneio de aparências. É um absoluto de vontades firmes e consistentes, livres, sem medos, sem obrigações nem deveres. Se forem almas puras.

Foste colocada numa cidade longe e deixámos de nos encontrar na penumbra dos cafés, onde os teus olhos brilhavam de uma forma estranha que me emocionava a alma. Trocámos e-mails onde os ditames da alma nos tornaram indispensáveis. E apuraram o nosso sentido do sentir em nós de nós, de cada um de nós.

Falaste-me dos fascínio do por do sol, a cor e os efeitos das nuvens que se pavoneavam como deuses à volta da fogueira. E eu que tinha do evento diário a mesma fascinação, desde um outro tempo. E da tua mágoa de o não termos podido observar em conjunto. Captar dele algo que nos induzisse a esclarecer o mistério porque gostávamos ambos do Século das Luzes e dos bailes de sociedade, das luzes.

Lembrei-me de te propor que o víssemos em simultâneo e falássemos das nossas emoções, na hora, via telemóvel. E tu aceitaste...

Tocou o telefone e vejo a inicial do teu nome. O coração bate mais depressa. O meu rosto é fogo.

Amo o teu nome. É um nome que me transcende...Bárbara. É um estado de alma inexplicável.

O Sol aproxima-se da linha do horizonte. Para mim é o mar que o irá absorvendo lentamente.

E tu dizes de lá de onde o vês, que é a montanha, uma sucessão incrível de montanhas, ásperas, escuras e no céu azul , a vermelhidão em dégradé, os tons suavizando-se até se tornarem de novo azuis como o céu. E falas-me de um pássaro de grandes dimensões que bate as asas e plana docemente entre o sol e o teu olhar. A tua voz trémula, excitada. Penso que pulas, esbracejas e digo-te que o meu sol é mais alaranjado, talvez devido aos efeitos do mar. Há gaivotas que esvoaçam lá em baixo, pequenos pardais que recolhem aos ninhos. Metade do Sol já entrou na água, digo-te aos gritos.

E tu que agora são as copas das árvores que tomam um efeito maravilhoso, os últimos raios refulgindo, como algo Divino que se extingue .

E eu, junto ao mar distante, onde o sol se despede com uma forte luminosidade que se estende numa larga faixa do horizonte, e os raios que se extinguem como salpicos de espuma colorida devido ao impacto imaginário nas profundezas oceânicas.

_Estou...Diz-me o que sentiste. Ouço a tua voz deliciosa

_Amo-te!... E tu.

_Amo-te!...





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